Você já ouviu falar que nossas experiências podem influenciar a forma como determinados genes se expressam?
A epigenética estuda justamente mecanismos que podem alterar a atividade dos genes sem modificar a sequência do DNA.
Estresse prolongado, qualidade do sono, alimentação, exposição a adversidades e outros fatores ambientais podem participar desses processos.
Na saúde mental, esse campo de estudo ajuda a compreender por que pessoas com predisposições semelhantes podem apresentar respostas diferentes diante de determinadas experiências.
Mas existe um ponto importante: epigenética não significa destino genético.
Ter uma predisposição não significa necessariamente desenvolver um transtorno mental.
A saúde mental resulta da interação complexa entre genética, ambiente, experiências, comportamento e outros fatores biológicos.
Por isso, falar sobre epigenética também significa ampliar nossa visão sobre prevenção e cuidado.
O objetivo não é encontrar um único “gene responsável” pela ansiedade, depressão ou outros transtornos, mas compreender melhor os mecanismos envolvidos para desenvolver estratégias de tratamento cada vez mais individualizadas.
A ciência ainda está avançando nessa área, e muitas descobertas precisam ser interpretadas com cautela.
O que já sabemos é que genes e ambiente não funcionam de maneira isolada.
Cuidar do sono, reduzir estressores quando possível, buscar apoio psicológico e psiquiátrico e manter hábitos de vida mais saudáveis fazem parte de uma visão ampla de saúde mental.
Entender a epigenética nos lembra de algo importante: nossa biologia importa, mas nossa história também.
Dra. Michelle Vilar
Psiquiatra
CRM 96072 | RQE 92918