Setembro Amarelo: falar sobre sofrimento também é uma forma de prevenção

Falar sobre saúde mental e sofrimento emocional pode abrir espaço para acolhimento, identificação de sinais de alerta e busca por ajuda. No Setembro Amarelo, mais do que falar sobre prevenção do suicídio, é importante construir uma cultura em que as pessoas possam expressar o que sentem sem medo de julgamento.

Por que falar sobre sofrimento emocional é tão importante?

Nem todo sofrimento é visível.

Uma pessoa pode continuar trabalhando, estudando, cuidando da família e mantendo sua rotina enquanto enfrenta uma intensa dor emocional.

Por isso, frases como “parece estar tudo bem” nem sempre contam toda a história.

O isolamento, a desesperança, mudanças importantes de comportamento e falas relacionadas à morte ou à falta de sentido podem ser sinais que merecem atenção. O Ministério da Saúde reforça que esses sinais não devem ser analisados isoladamente, mas precisam ser levados a sério quando aparecem em conjunto ou representam uma mudança importante no comportamento habitual.

Falar sobre suicídio aumenta o risco?

Não.

Esse é um dos principais mitos que precisam ser enfrentados.

A Organização Mundial da Saúde afirma que conversar abertamente sobre suicídio pode oferecer à pessoa espaço para falar sobre o que está vivendo, considerar alternativas e buscar ajuda. Perguntar de maneira direta e acolhedora sobre pensamentos suicidas não provoca esse comportamento.

O silêncio, por outro lado, pode fazer com que alguém enfrente o sofrimento sozinho.

Falar não significa incentivar.

Falar significa abrir uma porta.

Como perceber que alguém pode estar precisando de ajuda?

Não existe uma fórmula capaz de identificar com certeza uma crise suicida.

Mas algumas mudanças merecem atenção, especialmente quando são persistentes ou aparecem simultaneamente:

  • isolamento social;
  • desesperança;
  • mudanças importantes de humor;
  • perda de interesse por atividades habituais;
  • abandono do autocuidado;
  • alterações importantes na rotina;
  • falas sobre morte ou sobre não querer mais viver;
  • sensação de ser um peso para outras pessoas;
  • aumento do consumo de álcool ou outras substâncias.

Esses sinais não significam necessariamente que uma pessoa esteja pensando em suicídio. Porém, podem indicar sofrimento significativo e justificar uma conversa cuidadosa e, quando necessário, uma avaliação profissional.

O que fazer quando alguém demonstra sofrimento?

Primeiro, escute.

Nem sempre é necessário encontrar a frase perfeita ou oferecer uma solução imediatamente.

Você pode dizer:

“Eu percebi que você não parece bem. Quer conversar?”

Ou simplesmente:

“Estou aqui para te ouvir.”

Evite minimizar o sofrimento com frases como “isso vai passar”, “você precisa ser forte” ou “outras pessoas também passam por isso”.

O mais importante é demonstrar presença, acolhimento e disposição para ajudar.

Se houver suspeita de risco de suicídio, perguntar diretamente também pode ser importante. A orientação da OMS é levar essas manifestações a sério, incentivar a busca por ajuda e não deixar a pessoa sozinha quando houver perigo imediato.

Quando procurar um psiquiatra?

Não é necessário esperar uma crise para procurar atendimento.

Uma avaliação psiquiátrica pode ser importante quando o sofrimento começa a interferir no sono, trabalho, relacionamentos, autocuidado ou capacidade de realizar atividades cotidianas.

Ansiedade intensa, depressão, insônia persistente, crises de pânico, alterações importantes de humor e pensamentos recorrentes de desesperança também merecem atenção profissional.

O cuidado pode envolver acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, mudanças na rotina, tratamento medicamentoso quando indicado e construção de uma rede de apoio.

Cada caso precisa ser avaliado individualmente.

Setembro Amarelo vai além de uma campanha

O Setembro Amarelo é uma oportunidade para ampliar uma conversa que precisa continuar durante todo o ano.

Em 2026, a campanha da OMS para o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro, mantém como tema “Changing the Narrative on Suicide”, reforçando a importância de combater o estigma e estimular conversas abertas, acolhedoras e responsáveis.

Prevenção também significa criar ambientes onde uma pessoa possa dizer:

“Eu não estou bem.”

E encontrar alguém disposto a ouvir.

Não precisamos ter todas as respostas.

Precisamos estar atentos, acolher sem julgamento e saber quando é necessário buscar ajuda especializada.

Onde buscar ajuda no Brasil?

Em uma situação de sofrimento emocional intenso ou risco imediato, é importante procurar atendimento profissional.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas em situação de risco podem buscar serviços como CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPA 24h, pronto-socorro e SAMU pelo número 192. O CVV atende pelo 188, gratuitamente, 24 horas por dia, oferecendo apoio emocional e prevenção do suicídio.

Se houver risco imediato, a pessoa não deve permanecer sozinha. Procure um serviço de emergência ou alguém de confiança que possa ajudar presencialmente.

Falar pode ser o primeiro passo

Às vezes, a pessoa não precisa inicialmente de uma grande solução.

Ela precisa conseguir falar.

Ser ouvida.

Ser levada a sério.

E perceber que não precisa enfrentar aquele momento completamente sozinha.

O Setembro Amarelo nos lembra que prevenção também acontece nas conversas do cotidiano, na atenção às mudanças de comportamento e na disposição para procurar ajuda quando o sofrimento ultrapassa aquilo que conseguimos enfrentar sozinhos.

Falar sobre sofrimento não é dar espaço para a dor crescer.

É criar espaço para que o cuidado comece.

Dra. Michelle Vilar
Psiquiatra
CRM 96072 | RQE 92918

Perguntas frequentes

Falar sobre suicídio pode incentivar uma pessoa?
Não. A OMS indica que uma conversa aberta e acolhedora pode ajudar a pessoa a expressar o que está vivendo e facilitar o acesso à ajuda.

Como abordar alguém que parece estar sofrendo?
Escolha um momento tranquilo, demonstre preocupação genuína, escute sem julgamentos e incentive a busca por ajuda profissional quando necessário.

Uma mudança de comportamento significa risco de suicídio?
Não necessariamente. Os sinais precisam ser avaliados dentro do contexto e não devem ser interpretados isoladamente.

Quando procurar atendimento de emergência?
Quando houver risco imediato de autoagressão ou suicídio, procure imediatamente um serviço de emergência, como UPA, pronto-socorro ou SAMU 192.

Atualizado em setembro de 2026.

Michelle Vilar

CRM 96072 | RQE 92918

• Graduada em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Alfenas em 1998;
• Pós Graduada em Psiquiatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo;
• Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Centro de Estudos de Terapia Cognitivo Comportamental de São Paulo;
• Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP.

A Dra. Michelle Vilar é médica psiquiatra, CRM 96072 | RQE 92918, com mais de duas décadas de experiência na medicina e atuação dedicada ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de transtornos mentais em adultos. É graduada em Medicina pela Universidade de Alfenas, especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), pós-graduada em Psiquiatria pela Santa Casa de São Paulo e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental.

Seu trabalho é baseado em uma abordagem humanizada, ética e fundamentada em evidências científicas. Cada consulta é realizada com tempo adequado para compreender não apenas os sintomas, mas também a história de vida, o contexto familiar, profissional e emocional de cada paciente, permitindo um plano terapêutico individualizado.

Atende pacientes de todo o Brasil por telemedicina, oferecendo acompanhamento para ansiedade, depressão, transtorno bipolar, TDAH em adultos, burnout, insônia, transtornos do humor e outras condições relacionadas à saúde mental. Também possui experiência no atendimento de profissionais, empresários e pessoas que enfrentam alta demanda emocional e desejam recuperar equilíbrio, funcionalidade e qualidade de vida.

Mais do que tratar doenças, seu propósito é ajudar cada pessoa a retomar sua autonomia, fortalecer seus relacionamentos e viver com mais bem-estar. O compromisso com a escuta qualificada, a atualização científica constante e o cuidado individualizado fazem parte de uma prática médica pautada pela excelência e pelo respeito à singularidade de cada paciente.

Cuidar da saúde mental é investir em qualidade de vida. E esse cuidado começa com confiança, acolhimento e uma medicina exercida com responsabilidade, conhecimento e humanidade.

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• A consulta médica é realizada por vídeo-chamada.