Por que uma crise de pânico pode parecer uma emergência física?

Uma crise de pânico pode ser uma das experiências mais assustadoras que uma pessoa vivencia.

Ela costuma surgir de forma intensa, repentina e acompanhada de sintomas físicos muito marcantes. Por isso, muitas pessoas descrevem a sensação como se estivessem tendo um infarto, perdendo o controle, desmaiando ou prestes a morrer.

Essa percepção não é exagero.

Durante uma crise de pânico, o corpo entra em um estado de alerta intenso. O sistema nervoso reage como se existisse um perigo real, mesmo quando não há uma ameaça concreta naquele momento.

O que é uma crise de pânico?

A crise de pânico é um episódio súbito de medo intenso ou desconforto extremo, acompanhado de sintomas físicos e emocionais.

Segundo o National Institute of Mental Health, ataques de pânico podem envolver sintomas como coração acelerado, tremores, formigamento e sensações semelhantes às de um ataque cardíaco. (Instituto Nacional de Saúde Mental)

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • palpitações;
  • falta de ar;
  • aperto ou dor no peito;
  • suor frio;
  • tremores;
  • tontura;
  • náusea;
  • formigamento;
  • sensação de desmaio;
  • medo de morrer;
  • sensação de perda de controle;
  • sensação de estar desconectado da realidade.

Esses sintomas podem atingir um pico em poucos minutos, mas a sensação de medo e exaustão pode permanecer por mais tempo.

Por que a crise de pânico parece uma emergência física?

Porque os sintomas aparecem no corpo.

Durante a crise, o organismo ativa uma resposta de defesa conhecida como “luta ou fuga”. Essa reação prepara o corpo para enfrentar ou escapar de uma ameaça.

O coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam tensos, a atenção se volta para possíveis riscos e o cérebro interpreta as sensações corporais como sinal de perigo.

Por isso, a pessoa pode pensar:

“Estou tendo um infarto.”

“Vou desmaiar.”

“Não consigo respirar.”

“Vou perder o controle.”

“Algo muito grave está acontecendo.”

A intensidade dos sintomas físicos faz com que a crise de pânico seja facilmente confundida com problemas cardíacos, respiratórios ou neurológicos.

Dor no peito e falta de ar podem ser ansiedade?

Podem, mas nem sempre devem ser atribuídas automaticamente à ansiedade.

Esse ponto é muito importante.

Sintomas como dor no peito, falta de ar intensa, desmaio, confusão mental, fraqueza repentina ou dor que aparece de forma diferente do habitual precisam de avaliação médica.

A Mayo Clinic orienta que sintomas de ataque de pânico podem se parecer com problemas graves, como um infarto, e que é importante buscar avaliação médica quando não se sabe a causa dos sintomas. (Mayo Clinic)

Ou seja: a crise de pânico pode parecer uma emergência física, mas a segurança vem primeiro.

Quando houver dúvida, sintomas novos ou sinais intensos, procure atendimento médico presencial.

Quando procurar atendimento de urgência?

Procure um serviço de emergência se a crise vier acompanhada de:

  • dor forte no peito;
  • falta de ar intensa;
  • desmaio;
  • confusão mental;
  • perda de consciência;
  • fraqueza em um lado do corpo;
  • dor que irradia para braço, mandíbula, costas ou pescoço;
  • sintomas muito diferentes do habitual;
  • risco de autoagressão;
  • pensamentos de morte;
  • sensação de que não consegue se manter em segurança.

Em casos assim, não é recomendado tentar resolver sozinho em casa.

A crise de pânico pode ser tratada, mas primeiro é preciso descartar condições clínicas que exigem cuidado imediato.

Crise de pânico não é frescura

Muitas pessoas que passam por uma crise de pânico escutam frases como:

“Isso é coisa da sua cabeça.”

“É só se acalmar.”

“Você está exagerando.”

“Não era nada.”

Essas frases podem aumentar o sofrimento e dificultar a busca por ajuda.

A crise de pânico não é frescura, fraqueza ou falta de controle emocional. É uma experiência real, intensa e angustiante.

Mesmo quando os exames não mostram uma emergência física, o sofrimento vivido pela pessoa precisa ser acolhido e tratado.

O medo de ter outra crise

Depois de uma primeira crise, muitas pessoas passam a viver com medo de que ela aconteça novamente.

Esse medo pode levar a mudanças importantes na rotina, como:

  • evitar sair de casa;
  • evitar dirigir;
  • evitar lugares cheios;
  • evitar transporte público;
  • evitar ficar sozinho;
  • evitar exercícios físicos por medo dos batimentos acelerados;
  • monitorar o corpo o tempo todo;
  • procurar pronto atendimento repetidas vezes.

Esse ciclo pode comprometer a autonomia, o trabalho, os relacionamentos e a qualidade de vida.

Quando as crises se repetem e passam a gerar medo constante de uma nova crise, pode haver transtorno de pânico, que é uma condição de saúde mental caracterizada por episódios inesperados e recorrentes de medo intenso, acompanhados de sintomas físicos como palpitações, falta de ar, tontura e dor no peito. (Instituto Nacional de Saúde Mental)

Como diferenciar crise de pânico de outros problemas físicos?

Nem sempre é possível diferenciar sozinho.

Por isso, a avaliação médica é fundamental, especialmente quando os sintomas aparecem pela primeira vez ou mudam de padrão.

O psiquiatra pode ajudar a investigar o contexto emocional, a frequência das crises, os gatilhos, o padrão dos sintomas, o impacto na rotina e a presença de outras condições, como ansiedade, depressão, insônia ou burnout.

Em alguns casos, também pode ser necessário acompanhamento com outros médicos para descartar causas clínicas.

Quando procurar um psiquiatra?

A avaliação psiquiátrica é recomendada quando:

  • as crises de pânico se repetem;
  • existe medo constante de ter outra crise;
  • a pessoa começa a evitar lugares ou situações;
  • há preocupação excessiva com sintomas físicos;
  • o sono está prejudicado;
  • a ansiedade permanece alta mesmo fora das crises;
  • existe queda no rendimento profissional;
  • há prejuízo nos relacionamentos;
  • a pessoa sente que perdeu autonomia;
  • há sofrimento emocional frequente.

O tratamento pode envolver psicoeducação, psicoterapia, mudanças na rotina, estratégias para lidar com ansiedade e, quando indicado, medicação.

Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada.

Crise de pânico tem tratamento?

Sim.

A crise de pânico pode ser tratada.

O objetivo do tratamento não é apenas “acalmar a crise” quando ela acontece, mas compreender por que ela está surgindo, reduzir a frequência dos episódios, diminuir o medo de novas crises e ajudar a pessoa a recuperar confiança no próprio corpo.

Com acompanhamento adequado, é possível melhorar a qualidade de vida e retomar atividades que foram evitadas por medo dos sintomas.

O que fazer durante uma crise de pânico?

Durante uma crise, algumas medidas podem ajudar, desde que a pessoa não esteja em situação de risco:

  • lembrar que a crise tende a passar;
  • tentar respirar de forma mais lenta e regular;
  • buscar um ambiente seguro;
  • apoiar os pés no chão;
  • observar objetos ao redor para se reconectar ao presente;
  • evitar lutar contra os sintomas;
  • pedir ajuda a alguém de confiança;
  • procurar atendimento médico se houver dúvida sobre os sintomas físicos.

Essas estratégias não substituem avaliação profissional, mas podem ajudar a atravessar o momento com mais segurança.

Cuidar da saúde mental também é cuidar do corpo

A crise de pânico mostra como mente e corpo estão profundamente conectados.

Quando o sistema nervoso entra em alerta, o corpo sente. E quando o corpo sente de forma intensa, a mente interpreta aquilo como perigo.

Por isso, o cuidado precisa considerar a pessoa como um todo.

Se você já teve uma crise de pânico, sentiu medo de morrer ou passou a evitar situações por receio de sentir tudo novamente, buscar ajuda pode ser um passo importante.

Crise de pânico não precisa ser enfrentada sozinho.

Perguntas frequentes sobre crise de pânico

Crise de pânico pode parecer infarto?

Sim. A crise de pânico pode provocar dor ou aperto no peito, palpitações, falta de ar, suor e tontura, sintomas que podem lembrar um infarto. Por isso, quando há dúvida ou sintomas novos, é importante procurar avaliação médica.

Crise de pânico é perigosa?

A crise em si costuma passar, mas os sintomas são muito intensos e podem gerar sofrimento importante. Além disso, é preciso descartar outras causas físicas quando os sinais são novos, fortes ou diferentes do habitual.

Quando devo procurar atendimento de urgência?

Procure urgência se houver dor forte no peito, falta de ar intensa, desmaio, confusão, perda de consciência, sintomas diferentes do habitual, risco de autoagressão ou pensamentos de morte.

Psiquiatra trata crise de pânico?

Sim. O psiquiatra pode avaliar crises recorrentes, investigar transtorno de pânico, orientar o tratamento e indicar medicação quando necessário.

Consulta psiquiátrica online pode ajudar?

Sim, a telemedicina pode ajudar na avaliação e no acompanhamento de adultos com crises de pânico, desde que não exista situação de emergência. Em casos graves ou de risco imediato, o atendimento presencial é prioridade.

Dra. Michelle Vilar
Psiquiatra
CRM 96072 | RQE 92918

Michelle Vilar

CRM 96072 | RQE 92918

• Graduada em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Alfenas em 1998;
• Pós Graduada em Psiquiatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo;
• Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Centro de Estudos de Terapia Cognitivo Comportamental de São Paulo;
• Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP.

A Dra. Michelle Vilar é médica psiquiatra, CRM 96072 | RQE 92918, com mais de duas décadas de experiência na medicina e atuação dedicada ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de transtornos mentais em adultos. É graduada em Medicina pela Universidade de Alfenas, especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), pós-graduada em Psiquiatria pela Santa Casa de São Paulo e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental.

Seu trabalho é baseado em uma abordagem humanizada, ética e fundamentada em evidências científicas. Cada consulta é realizada com tempo adequado para compreender não apenas os sintomas, mas também a história de vida, o contexto familiar, profissional e emocional de cada paciente, permitindo um plano terapêutico individualizado.

Atende pacientes de todo o Brasil por telemedicina, oferecendo acompanhamento para ansiedade, depressão, transtorno bipolar, TDAH em adultos, burnout, insônia, transtornos do humor e outras condições relacionadas à saúde mental. Também possui experiência no atendimento de profissionais, empresários e pessoas que enfrentam alta demanda emocional e desejam recuperar equilíbrio, funcionalidade e qualidade de vida.

Mais do que tratar doenças, seu propósito é ajudar cada pessoa a retomar sua autonomia, fortalecer seus relacionamentos e viver com mais bem-estar. O compromisso com a escuta qualificada, a atualização científica constante e o cuidado individualizado fazem parte de uma prática médica pautada pela excelência e pelo respeito à singularidade de cada paciente.

Cuidar da saúde mental é investir em qualidade de vida. E esse cuidado começa com confiança, acolhimento e uma medicina exercida com responsabilidade, conhecimento e humanidade.

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